Degradação de mananciais exige uso de tecnologias avançadas de filtração em ETAs e ETEs
Especialista alerta para o desafio na captação e no tratamento de água e reforça a urgência de tecnologias avançadas em ETAs e ETEs, além de maior conscientização da sociedade.
A passagem do Dia Mundial da Limpeza das Águas (19 de setembro) reforça um alerta urgente sobre a necessidade de despoluição e proteção dos recursos hídricos que continuam sofrendo, muitas vezes, pressões diárias com o descarte inadequado de esgotos industriais e domésticos. Relatório da Fundação SOS Mata Atlântica, divulgado neste ano, apresenta dados alarmantes sobre os indicadores sobre a qualidade da água dos rios da Mata Atlântica. No estudo, onde foram realizadas 1.209 análises em 162 pontos de coleta, distribuídos em 128 rios e corpos d’água localizados em 86 municípios de 14 estados, apenas cinco pontos (3,1%) apresentaram qualidade boa, enquanto 127 (78,4%) foram classificados como regulares, 25 (15,4%) como ruins, cinco (3,1%) como péssimos e nenhum ótimo. “Os resultados mostram que a captação da água bruta e tratamento para o abastecimento público são cada vez mais desafiadores, exigindo elevado nível de eficiência operacional e tecnológica não só das Estações de Tratamento de Água (ETAs) para a garantia da potabilidade da água, mas também das Estações de Tratamento de Efluentes (ETEs)”, comenta Prof. Dr. Fábio Campos, que coordena a Câmara Setorial de Filtros para Estações de Água, Efluentes e Reúso da ABRAFILTROS – Associação Brasileira das Empresas de Filtros Automotivos, Industriais e para Estações de Tratamento de Água, Efluentes e Reúso, e é pesquisador e especialista em ETA/ETE & Reúso.
ETAs e ETEs e as tecnologias de filtração para garantir a remoção de poluentes e a proteção dos mananciais – Segundo Campos, cada vez mais é necessário investir nas ETAs e ETEs devido à degradação dos mananciais e à existência de poluentes, como microplásticos e resíduos medicamentosos. “Nas instalações mais modernas de ETAs, são usadas combinações de tecnologias, como pré-filtração por ultrafiltração seguida de leitos de carvão ativado granular ou ozonização, para garantir a remoção tanto de particulados biológicos quanto de matéria orgânica dissolvida”, ressalta. Há avançadas tecnologias para remoção dos contaminantes que persistem após a coagulação, floculação, sedimentação e filtração, incluindo ultrafiltração por membranas, que retém micropartículas suspensas, coloides, bactérias, vírus e patógenos; nanofiltração, para reter micropoluentes como pesticidas e resíduos farmacêuticos; osmose reversa, para remover praticamente sólidos dissolvidos, sais minerais, íons e compostos orgânicos dissolvidos de baixo peso molecular que escapam dos processos convencionais e da ultrafiltração; carvão ativo granulado, para reter compostos orgânicos dissolvidos, substâncias húmicas, compostos causadores de sabor e odor, além de microcontaminantes orgânicos que as membranas de filtração física podem deixar passar se não forem do tipo nanofiltração ou osmose reversa.
No caso das ETEs, o rol de tecnologias disponíveis é consideravelmente grande, permitindo a convencional remoção apenas de carga orgânica e de sólidos até processos que permitem também a remoção de nutrientes, como o nitrogênio e o fósforo. Pode-se citar como exemplo de tecnologias amplamente empregadas, o sistema de Lodos Ativados, MBR (reator de biomembrana), MBBR (reator biológico de leito móvel), Lodo Granular Aeróbio, entre outros. “O grande desafio está nos micropoluentes emergentes e microplásticos, onde a aplicação do recurso tecnológico ainda carece tanto de investimento como também de legislação apropriada”, ressalta.

Campos destaca que, além da infraestrutura de saneamento ser fundamental, há outra questão importante – a conscientização da sociedade. “Para melhorar este cenário negativo dos mananciais, além dos constantes investimentos em saneamento e novas tecnologias de filtração, também é essencial a conscientização da sociedade como um todo – população e empresas, com relação ao descarte de resíduos e efluentes”, finaliza.
Sobre a Abrafiltros:
Criada em 2006, a ABRAFILTROS – Associação Brasileira das Empresas de Filtros Automotivos, Industriais e para Estações de Tratamento de Água, efluentes e Reúso – tem a missão de promover a integração entre as empresas de filtros e sistemas de filtração para os segmentos automotivo, industrial e tratamento de água, efluentes e reúso, representando e defendendo de forma ética os interesses comuns e consensuais dos associados.
Crédito da foto: Kalyakan
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